Espetinho de salsicha no abacaxi

Reza a lenda que havia uma boate que se chamava Nóbrega. Lá apresentavam-se cantores do naipe de Jerry Adriani, Reginaldo Rossi, Odair José e o hit parade era “Arma de Vingança” de Carlos Alexandre. Dizem que certa noite a primeira sílaba do letreiro em neon queimou. Como nunca foi consertado o letreiro, os frequentadores passaram a chamar a casa pelas letras que se mantiveram iluminadas. Ocorre que toda história tem duas ou mais versões. Outros defendem que o termo “brega” tem origem na zona de meretrício da capital baiana, no lugar das luzes queimadas a placa parcialmente apagada da rua Manuel da Nóbrega. Já o sóbrio Houaiss prefere manter-se calado a respeito da etimologia do adjetivo, mas explica que o vocábulo é: relativo a que ou a quem não tem finura. É xingamento singelo, não faz referência a genitora e tem equivalência com o termo cafona.

Sueli quando está apaixonada entra no modo avião Barbara Streisand, total “Memory”, “Woman In Love” e “The Way We Were”. Ui! Vibe moranguinho completa fazendo conjuntinho com o vermelho metálico do esmalte Maçã do amor da Risqué. Dia desses, a moça tombou e rolou ribanceira abaixo, quando grifou, com marca-texto, um trecho do Jorge Bucay. Fim de linha total! Bucay é uma espécie de Paulo Coelho, o que não é nenhum elogio e para completar é argentino. Todo brasileiro tem questões com argentinos. A gente nem precisa confessar, porque é pública a implicância. Já havíamos nos rendido ao cinema deles, que é de tirar o chapéu e os putos têm o Ricardo Darín no time e Messi, o ponta-de-lança. Agora nós e o mundo fomos forçados a uma terceira exceção: Papa Francisco, nascido Jorge Mario Bergoglio em Buenos Aires. Dizem que é um ator contratado, mas é só o que dizem.

Danielle disfarça bem na paleta do figurino: abusa do pretinho básico e investe nos tons de bege adequados ao estilo Marie Claire, mas sua alma tem uma queda por pipoca doce cocô de rato, aquela embalada em saco transparente rosa carmim, ofertada em Cosme e Damião. Já Claudionor, um metro e oitenta, todo tatuado, fica que nem gelo derretendo, sem poder de nada, só de derreter, quando toca na playlist “Detalhes tão pequenos de nós dois”. E Miguel Falabella divulgando que brega é quem come cajuzinho… Patrícia manda uns cinco cajuzinhos para dentro e ainda contrabandeia uns dez brigadeiros para pochete do namorado. E sai da festa no salto alto Melissa!

 

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2 comentários sobre “Espetinho de salsicha no abacaxi

  1. Todos nós temos nossa parte brega inconfessável. Já tomei uns foras na vida e fui escutar Enrique Iglesias, mas como ressaca de ariano é intensa, porém não duradoura. Levantava logo a cabeça e começava a cantar Irreplaceable da Beyoncé, pra colocar as coisas no lugar. Nada como uma outra trilha sonora brega que nos coloque nos eixos…
    Mas se for pra amar novamente, um pouquinho mais de breguice não faz mal para ninguém.

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