Papaizinhos Queridos

JC (que já explicamos outras vezes não se tratar de Jesus Cristo, embora nesse caso, até seria pertinente que o fosse) costuma dizer que existe prova para tudo: vestibular para garantir o ingresso na faculdade, prova do DETRAN para tirar carteira de motorista e até cursinho obrigatório na igreja para os casais enamorados visando a garantir o sucesso dessa empreitada que, nos dias de hoje, já sabemos de antemão estar com grandes probabilidades de fracasso. Mas, para ser pai, qualquer indivíduo está apto! Não tem nem média acima de cinco como pré-requisito para a função de genitor, nem ao menos teste de múltipla escolha. Como assim? Onde fica o cinto de segurança da vida das crianças? Sem atiçar a ira dos religiosos, nem o Pai Nosso devia ter se candidatado: Jesus Cristo que o diga…

Quem nunca viu a cena? “Não joga para cima que o bebê acabou de comer e vai … pronto, já golfou”!

Minhas filhas passaram a primeira infância inteira pintadas de lilás parecendo canetinhas hidrocor fora da caixa. O pai tinha plena convicção que não havia doença no mundo que não pudesse ser combatida e curada com o antisséptico“Violeta de genciana”.

O álbum do bebê de Ana Luísa R. já é uma biografia do pai. Enquanto a mãe sentia as contrações do parto, vestida com aquele avental sexy (só que não) que deixa a bunda toda de fora, o indivíduo, que havia se proposto fotografar o nascimento da filha, adentra o recinto com um novo personagem na história familiar: o Bussunda. O Casseta e Planeta que havia esbarrado com o futuro papai no corredor e era até aquele momento um ilustre desconhecido daquela árvore genealógica, ganhou lugar de honra:  abraçado ao “chefe de família” lá está ele na primeira página do álbum do neném de Ana Luísa R.

Ainda na categoria dos “genitores exóticos”, está o pai de Nina. Na entrada em cena de um número musical do jardim de infância, Nina resolveu que não queria mais se apresentar no palco. Seu papai muito compreensivo surtou na plateia reclamando o número da herdeira. A balança da deusa Têmis não ficava equilibrada assim: após duas longas horas assistindo aos rebentos dissonantes dos outros, para ser uma tarde justa se fazia necessário que a filha subisse ao tablado e desafinasse também.

Mas existem também as mães, que Freud e a mitologia grega não nos deixam esquecer. Aquelas… como a que interpreta a atriz Mae Questel no episódio “Édipo Arrasado” do filme “Contos de Nova York” dirigido por Woody Allen.  A mãe num instante mágico some da cena cotidiana e num plim está ocupando todo o céu de Manhatan, com seu semblante gigantesco, vigiando o filho. Quem poderia ter previsto, que Mae Questel, que era a voz de Betty Boop e Olívia Palito em desenhos animados, acabaria nos céus nova iorquinos ralhando publicamente com o seu pimpolho? Mas talvez fosse de suspeitar: afinal ela havia emprestado sua voz, também, para outro personagem, Gasparzinho, o Fantasminha Camarada.

E existem as mães psicólogas. Todos nós sabemos do que estou falando. Este foi o fardo de uma coleguinha de turma de JC no Ensino Fundamental. XX foi deixada pela cegonha na casa de uma mamãe que havia estudado com afinco a teoria da psique humana e talvez interpretado alguns conceitos, digamos, de forma truncada. Pois essa mami querida sempre vinha buscá-la uma hora ou uma hora e meia depois do horário da saída dos coleguinhas do colégio. Mas os atrasos, não eram ocasionais, tinham uma finalidade: assim a menina saberia que nem sempre teria tudo na vida. Então tá, né?!

JC e a irmã perderam a conta de quantas vezes presenciaram o pai soluçar ouvindo no toca-discos a voz rascante de Eleanora Fagan, mais conhecida como Billie Holiday e se debulhar em lágrimas ao ler pela milésima vez a descrição da vida que D. Plácida enfrentará nas “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Então como diria nosso misterioso cowboy Shane do faroeste americano: os brutos também amam! E, pasmem as amantes dos piões de rodeio, a frase não é de autoria da dupla sertaneja Matogrosso e Mathias.

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