A Indesejada das gentes

Dias Gomes disse uma vez que Deus era um ótimo dramaturgo, mas um pouco repetitivo, porque todas as suas histórias tinham o mesmo final. Certa feita estava no parquinho quando uma amiga, que também tinha um filho em idade de cair do escorrega e acreditar que o sobe e desce da vida é apenas um movimento da gangorra, apareceu. Ela vinha com aquele saco plástico … Continuar lendo A Indesejada das gentes

Espelho, espelho meu

No início dos anos 90 o falecido Jornal do Brasil publicava a coluna Perfil do Consumidor. O entrevistado, sempre uma personalidade, tornava públicos seus hábitos. Quando perguntaram a Tim Maia seu vício, ele na lata respondeu “Vicio? Punheta”! Do humorista Bussunda podíamos esperar o inesperado. A torcida do Flamengo (e por que não a do Fluminense, Vasco e Botafogo) vibrou com a memorável resposta a … Continuar lendo Espelho, espelho meu

É tudo culpa da física

Minha avó, uma das mulheres mais chiques que conheci, era do tempo em que se usavam camisas de seda e mocassins, e suas unhas estavam sempre impecavelmente pintadas de vermelho escarlate. Filha de um pianista russo, nasceu em São Paulo e lá teria vivido para sempre se um namorado seu não tivesse tido a descortês ideia de batizar no prado uma égua de corrida com … Continuar lendo É tudo culpa da física

A chana da minha vó

O autor do choro Carinhoso veio ao mundo no bairro da Piedade, subúrbio carioca, com a responsabilidade de carregar o nome do pai, Alfredo da Rocha Vianna Filho, mas de pronto abandonou o nome da certidão. A avó Ediwirges apelidou-o de “Pizindin”, que era como chamavam os pequenos bons lá na África. Já para os camaradas da rua no Catumbi, era o “Bexiguinha”, por causa … Continuar lendo A chana da minha vó

Nem tudo que reluz é ouro

O marido de Jéssica trabalha em Jacarepaguá, e eles moram em Copacabana. Quem vive na Zona Sul e trabalha na Barra da Tijuca sabe o que isso significa. Sou totalmente a favor de rever a geografia da cidade e emancipar esse bairro, torná-lo outro município. Não sou nenhum Barão do Rio Branco, tampouco tenho a pretensão de redesenhar o mapa do país e (re)demarcar o … Continuar lendo Nem tudo que reluz é ouro

Arquitetura Darwin

Lázara, a agente de viagens do Cerrado, nos enviou uma mensagem pelo celular que só lemos ao posar: “Bleno vai buscá-las”. Bleno ou Breno – essa era a questão! Todo mundo digita errado no celular, mas o R tá a quilômetros do L no teclado! Era Bleno, mesmo! Ele nos pegou em um carrinho de passeio. A noiva veio junto, muito provavelmente para garantir que … Continuar lendo Arquitetura Darwin

A saga dos hamsters

No ano em que me separei do pai das meninas, a caçula perguntou se o Papai-Noel trazia coisas vivas. De bate pronto, respondi que não. Pequenos animaizinhos não sobreviveriam à longa viagem de trenó, e “coisa vivas grandes”, além de ocupar muito espaço, fariam uma bagunça tremenda, comprometendo a entrega dos presentes. Foi uma resposta deveras convincente – ou, ao menos, bastante plausível –, e … Continuar lendo A saga dos hamsters

No coração do Brasil

Um daqueles dias em que minha adolescente de estimação estava me enlouquecendo, passei umas nove mensagens no WhatsApp pedindo um help à psicanalista dela. Recebi uma resposta lacônica: “Negocie com ela”. Digamos que M – a psicanalista – não é lá muito prolixa… Aí me lembrei da mãe de uma amiga de JC que tentava ser moderninha e só passava mensagens com emojis, aqueles desenhos … Continuar lendo No coração do Brasil

Filhos… Filhos? Melhor não tê-los! Mas, se não os temos, como sabê-lo?

Ontem, Patricia e a filha XX tiveram um embate. Não posso citar nome de menores; embora o Governo tenha votado pela maioridade penal, sou contra. XX cismou que só tinha um short que lhe caía bem, mas justamente esse estava de molho no balde. Ao que parece, o estado líquido da veste não era um dado que fizesse a jovem desistir do figurino. A mãe … Continuar lendo Filhos… Filhos? Melhor não tê-los! Mas, se não os temos, como sabê-lo?

Cão chupando manga

Tive que operar o meu cachorro salsicha. Descobri que dentro da barriga do “Cruzcredinho”, que estava gigante, tinha um caroço de manga. O caroço já estava fazendo aniversário, porque as mangueiras do Parque Guinle deram frutos até fevereiro, como estamos em julho… Lá se foram o verão e uns quatro meses. Divulguei que, infelizmente, estava indo operar um dos últimos machos-espada do pedaço. Pois é, … Continuar lendo Cão chupando manga